Wednesday, July 26, 2006

Diário de uma Baleia Azul

O TRÁGICO FIM DE UMA BALEIA


24 de Dezembro, 1986

É Inverno! Estou feliz, apesar das águas gélidas e poluídas do oceano, nado livremente … não estou só!
A época de acasalar chegou, foi difícil encontrar uma fêmea, mas inesperadamente ela surgiu!... Era enorme, uma linda e esbelta baleia azul.

25 de Dezembro, 1986

Esta noite estava ansioso, acordei várias vezes a pensar nela, ia olhando em redor…mas em vão, estava escuro e não a conseguia avistar. Nunca uma noite me pareceu tão longa!... Depois amanheceu e avistei-a ao longe, tentei aproximar-me, mas sempre que fazia uma investida, ela afastava-se.
Quando me alimentava ela seguia-me de longe sem tentar aproximar-se.
Escureceu e deixei de a ver. Estou preocupado, angustiado, triste e ansioso por voltar a encontrá-la.

26 de Dezembro, 1986

Hoje tive uma enorme surpresa! Ao acordar, virei-me para o lado e, qual não foi o meu espanto que a encontrei perto de mim. Era uma fêmea difícil mas, depois de uns galanteios, começou a nadar a meu lado. Valeu a pena todo o meu esforço.

27 de Dezembro, 1986

Esta manhã, as águas estavam turbulentas e chovia torrencialmente, ainda assim nós brincávamos juntos, fazíamos piruetas, vínhamos respirar à superfície, fazíamos banquetes de krill, estávamos felizes! A nadar e a brincar íamos procurando águas mais quentes. Pelo caminho, os nossos olhares cruzavam-se, eram olhares ternos e apaixonados, era o amor e o desejo que começavam a florir!...

29 de Dezembro, 1986

Acordei esta manhã com umas excitantes e suaves carícias, era a minha companheira, que, com a sua cauda tocava a minha. Então, olhando-a directamente nos olhos, tentei aconchegar-me ao seu corpo, relutante, afastou-se e eu, sem nada dizer, segui-a apreciando os seus graciosos e sensuais movimentos… passámos o resto do dia em jogos sedutores!...

30 de Dezembro, 1986

Esta manhã, ao acordar, tudo me parecia diferente! As águas pareciam cristalinas, o céu de um azul néon e o sol brilhava alegremente. Os meus olhos flamejavam de felicidade, pois, olhei para a minha companheira e até ela me parecia mais bela que nunca!... Os olhares cruzaram-se, fixámo-nos…tinha chegado a hora!...
Nadámos sem rumo com os corpos sempre juntos, até que nos ligámos como se fossemos um só.

17 de Janeiro, 1987

Há já algum tempo que não te digo nada. Tenho andado muito ocupado, só tenho tempo para a minha companheira. Mas, hoje acordei e algo de estranho tinha sucedido… a minha companheira não estava ao pé de mim. Fiquei muito preocupado, fui procurá-la e encontrei-a a banquetear-se com um cardume de krill, sorri-lhe e juntei--me a ela.
De barriga cheia, fomos nadando lado a lado. Comecei a brincar com ela mas afastou-me!...Fiquei surpreendido e perguntei-lhe o motivo da sua reacção. Ela respondeu-me que estava grávida!...
Não consigo exprimir o que senti, só sei que fiquei louco de alegria e saltei sem parar à sua volta.

22 de Janeiro, 1987

Hoje foi um dia tenebroso, estávamos à superfície quando avistámos um barco, dirigia--se para nós a grande velocidade, tratava-se de um baleeiro…De repente, mergulhámos para tentar fugir…era tarde!...
As águas agitaram-se violentamente, ouviu-se um ruído estrondoso, um objecto estava a perfurar as águas e vi-me envolto num mar de sangue!...
Desesperado procurei a minha companheira, mas tudo o que vi foi o vermelho do sangue dissolvido na água. Parecia que tudo à minha volta se desmoronava!
Finalmente, uns sons repletos de dor chegaram até mim… era ela que me chamava! Olhei na direcção do chamamento e através das águas turvas vi a sua imagem! Uma imagem cheia de sofrimento…
Um enorme arpão perfurara o seu esbelto corpo arrastando-a para o barco! Ela debatia-se vigorosamente para se soltar e eu observava sem a poder ajudar!... Com os olhos cheios de lágrimas, vi o seu sangue jorrar nas águas onde havíamos nadado livremente…

2 de Fevereiro, 1987

Meu querido amigo, tenho andado dia após dia para te escrever, mas sinto-me desmotivado para o fazer. O meu corpo foi invadido por um terrível e cruel sentimento de culpa!... A imagem sofrida da minha companheira abateu-se sobre mim, sugando-me todas as energias. Já não tenho forças para continuar a viver, já deixei de me alimentar, os meus pensamentos são totalmente preenchidos pela perda da minha linda e esbelta baleia azul e pelo filho que iríamos ter. Sinto-me a enfraquecer…despeço-me sem saber se te voltarei a escrever…

Animais em vias de extinção

Wednesday, June 07, 2006

CRUELDADE HUMANA





Há mais de 16 mil espécies em extinção, não podendo falarmos de todas elas, vamos no entanto fazer uma abordagem a algumas espécies.

Em dois anos, 53 novas espécies ficaram em vias de extinção. O urso polar, o hipopótamo e a raia passaram a figurar na lista dos animais que podem desaparecer devido ao aquecimento global e à caça excessiva.

Os números são da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN): actualmente, 16 119 espécies de animais ou de plantas estão em vias de extinção. Um aumento significativo face a 2004, altura em que os números apontavam para 15 589. A actualização da lista vermelha revelou ainda que 784 espécies estão oficialmente declaradas extintas e 65 só podem ser encontradas em cativeiro.

Pela primeira vez, o urso polar e o hipopótamo fazem parte das espécies ameaçadas. Se o grande inimigo dos ursos é o aquecimento global, que pode vir a ser responsável por um declínio de 50 a 100 por cento da sua população, no caso dos hipopótamos, a caça furtiva provocou uma queda de 95 por cento destes animais, apenas em uma década, especialmente na Republica Democrática do Congo e na Zâmbia.

Outra das situações preocupantes diz respeito à gazela dama, do Sara. Neste caso a população de animais diminuiu 80 por cento na última década.

Achim Steiner, director da organização, alertou para o grande impacto que a situação tem na capacidade de recuperação dos ecossistemas. Uma das situações mais criticas está localizada no Mediterrâneo. De acordo com o relatório, existem 34 focos críticos de biodiversidade e cerca de 25 mil espécies, das quais 60 por cento não se encontram em mais nenhum lugar do Mundo. Para controlar a situação, várias organizações ambientais lutam para que os países reduzam as emissões de gases de efeito de estufa, diminuindo o aquecimento global.


GAZELA DAMA DO SARA

A caça não controlada fez com que a população desta espécie de gazelas diminuísse cerca de 80 por cento nos últimos 10 anos. A degradação do habitat contribuiu de igual forma para que, nos dias de hoje, restem apenas 500 animais em estado selvagem.

LINCE IBÉRICO

Considerado o felino mais ameaçado do mundo, está classificado como espécie em perigo de extinção pelos Livros Vermelhos de Portugal, Espanha e IUCN. Entre as principais ameaças podem destacar-se a destruição dos habitats, para além da caça.

TIGRE

Dos 100 mil tigres existentes, restam actualmente menos de 7 mil exemplares em liberdade. A caça é a principal responsável pela diminuição da espécie. Isto porque tudo serve para fazer comércio, desde os ossos deste grande felino até à sua pele.

PANDA GIGANTE

Em 2000, já só restavam qualquer coisa como mil animais em liberdade. As alterações climáticas, a ausência de bambu – principal fonte de alimento da espécie – e a caça são os grandes responsáveis pelo desaparecimento do popular panda gigante.

RINOCERONTE NEGRO

Desde 1970 que o número de rinocerontes negros tem sofrido uma queda considerável. Dos 65 mil animais já só restam cerca de 3 mil em liberdade. Uma queda superior a 96 por cento devido à caça para retirar os dois chifres, supostamente com propriedades medicinais.

HIPOPÓTAMO

Estima-se que nos últimos dez anos, a população de hipopótamos tenha sofrido uma redução de 95 por cento. Uma das situações mais graves localiza-se na Republica Democrática do Congo, onde a caça dos animais para retirar os dentes tem tido efeitos dramáticos.

URSO POLAR

Graças ao aquecimento global, o urso polar, está pela primeira vez incluída na lista das espécies ameaçadas. Com o gelo a derreter, calcula-se que nos próximos 100 anos esta espécie de urso tenha um declínio de 50 a 100 por cento da sua população.

DIABO-DO-MAR (MANTA)

Graças à indústria pesqueira, este gigante devorador de plâncton corre o risco de desaparecer dos mares. Os baixos índices de reprodução da espécie também contribuem para a diminuição da população.

BALEIA AZUL

Antes da pesca ao gigante dos mares, na primeira metade do século XX, existiam 206 mil baleias azuis no mundo. Em 1980 o número desceu para 6500 e dez anos depois para 3 mil.

TUBARÃO BRANCO

Temido por muitos, o tubarão branco pertence à lista de espécies em vias de extinção devido à caça para satisfazer a procura da sopa de barbatana de tubarão, especialmente no continente asiático. Tem uma das mais baixas taxas de procriação entre os peixes.

O MORCEGO- DE -FERRADURA-GRANDE
(Rhinolophus ferrumequinum)

INTRODUÇÃO

Os morcegos são os únicos mamíferos com capacidade de voo, devido à transformação dos braços em asas. Pertencem à ordem Chiroptera, palavra que significa mão transformada em asa.
A ordem Chiroptera possui actualmente quase 1.000 espécies, representando cerca de um quarto de toda a fauna de mamíferos do mundo. Esta ordem esta dividida em duas subordens: Megachiroptera e Microchiroptera. A subordem Megachiroptera está restrita ao Velho Mundo (África, Ásia e Oceânia). Nesta subordem encontram-se os maiores morcegos do planeta, dentro da subordem Microchiroptera estão os morcegos europeus.
A maior das cinco espécies europeias de morcegos-de-ferradura, é o morcego-de-ferradura-grande, tem o tamanho de uma pequena pêra e encontra-se em toda a Europa, desde o Reino Unido até à Grécia, ocupando quase exclusivamente grutas e minas.
O morcego-de-ferradura-grande vive em grupo, pesando apenas 14 a 34g, tem um comprimento de 6 a 7 cm e de asas 30 a 35 cm.
Atingindo uma longevidade até 30anos, os machos atingem a maturidade sexual com cerca de 2-3 anos, as fêmeas um pouco mais tarde, cerca de 4-8 anos. Acasalando no Outono e com um período de gestação de 9 meses, a fêmea dá à luz, geralmente, uma cria.

Um Morcego Singular, com o Nariz para o Som

Apesar de não ser uma beleza da natureza, o morcego - de ferradura - grande é extraordinário. O estranho apêndice nasal em forma de U é uma parte crucial do sistema de ecolocalização e permite-lhe navegar e detectar presas no escuro.
Este morcego é também notável pela sua raridade está quase extinta em regiões da sua distribuição.

Nascido dentro das asas

O descendente único nasce no poleiro maternidade das fêmeas, onde podem estar entre 50-500 fêmeas residentes.
O nascimento ocorre muitas vezes ao pôr-do-sol, com a mãe pendurada de cabeça para baixo pelos pés.
A cria emerge para dentro das pregas protectoras das suas curtas e amplas asas.
O recém-nascido abre os olhos após cinco dias. Alimenta-se do leite da mãe e quando tem 1 mês de idade, começa a apanhar insectos. Cerca de 3 semanas mais tarde, a cria é desmamada e é deixada aos seus próprios cuidados.

Pendurados

As fêmeas do morcego- de- ferradura- grande juntam-se em grandes colónias com a sua descendência, enquanto os parceiros se juntam em colónias de machos mais pequenas. Os locais de colónias estivais incluem os telhados de casas e celeiros abandonados, aquecidos pelo sol. No inverno, encontra locais mais abrigados, onde hiberna.
Os machos, sendo mais pequenos e por isso mais afectados pelas mudanças de temperatura, podem acordar da hibernação e viajar até 30km para encontrar um local mais quente.

Sonar dos Morcegos

Os morcegos orientam-se no escuro por um mecanismo chamado "ecolocalização" ou "sonar dos morcegos". Estes animais emitem gritos, que consistem em ondas de altíssima frequência, inaudíveis pelo homem, emitidos pela boca ou pelas narinas. Esses impulsos de ultra-som, ao atingirem um objecto, são reflectidos em forma de ecos e captados pelos ouvidos. Com esse sonar, os morcegos conseguem identificar, quando voam, a natureza do ambiente que os rodeia, bem como a forma e dimensão do objecto.

Caçando pelo som

Saindo assim que anoitece, o morcego-de-ferradura-grande tem um voo extremamente ágil, podendo assim capturar as suas presas. Alimenta-se durante voos de caça a baixa altitude. Usando a sua boca ou membrana alar, apanha insectos no ar e no chão. As presas grandes são levadas para o poleiro de alimentação habitual, onde come ou descansa entre sessões. Pode voar 40km em busca de comida. Como outros morcegos, usa o seu sistema de ecolocalização para localizar o alimento e obstáculos. Os apêndices nasais ajundam os ecos que são reflectidos dos objectos circundantes, incluindo presas.
Durante os meses quentes do ano, acumula grandes quantidades de gordura, que serve de reserva alimentar para o Inverno.

Curiosidades

Os morcegos são olhados como mau presságio e ligados a bruxas e lendas, como a do Conde Drácula. Há também uma crença de que se emaranham nos cabelos. Felizmente cada vez se acredita menos nestes mitos. Os morcegos são inofensivos e não causam prejuízo. São até muito úteis pois destroem grandes quantidades de insectos, combatendo pragas agrícolas e florestais e vectores de doenças. Numa noite, um morcego pode comer mais do que o seu próprio peso em insectos!

O TITI-DE-BIGODES
(Saguinus imperador)



Talvez um dos mais pequenos primatas existentes, de 23 a 26cm de comprimento e uma cauda de 35 a 42cm, o sociável titi-de-bigodes é uma figura cómica, pesando apenas 250 a 500g. Com um espesso bigode branco pendurado até aos ombros, este macaco em miniatura é imediatamente reconhecido quando salta através das árvores, nas regiões do Sudoeste do Peru, Noroeste da Bolívia e Noroeste do Brasil, na enorme floresta tropical de chuvas da Amazónia.

Um grande salto em comprimento

O titi-de-bigodes está constantemente a movimentar-se.
O seu tamanho pequeno e a surpreendente força, permite-lhe saltar de árvore em árvore, a distâncias impressionantes. Esta criatura ágil pode cair para o solo de alturas de mais de 20m. Os titis-de-bigodes são sociáveis e passam os dias a explorar a floresta em pequenos grupos, interagindo com o tamarim Saguinus fuscicollis. Estas duas espécies juntam esforços, prestando atenção aos gritos de alarme dos outros e procurando alimento em conjunto. Apesar do tamanho deste pequeno acrobata o tornar apetecível para os predadores, a velocidade e agilidade com que salta de ramo em ramo torna-o difícil de capturar.

Nascimento em comunidade

O titi-de-bigodes atinge a maturidade sexual entre os 16 e os 20 meses de idade, sendo a época de acasalamento durante todo o ano, intensificando-se no Outono.
Um grupo de tamarins é composto de dois a oito indivíduos, apesar de poder atingir até 15. Há apenas uma fêmea sexualmente activa. Os restantes membros do grupo não competem pelo direito a acasalar, em vez disso, canalizam a sua energia para a protecção da comunidade. A fêmea dominante acasala com dois machos e depois de um curto período de gestação, 140 a 145 dias, todo o grupo se reúne para ajudar ao nascimento de uma ou duas crias. Ambos os machos desempenham o papel de pai, recebendo o recém-nacido indefeso e levando-o. Fazem turnos no transporte da cria, entregando-o à progenitora quando precisa de mamar.

Dieta leve

Grande parte da dieta do titi-de-bigodes é composta por frutas, flores e néctar. Dado o seu baixo peso pode sentar-se na extremidade dos ramos e ter acesso a áreas onde outros macacos mais pesados não podem chegar. Os tamarins são omnívoros e muita da proteína na sua dieta vem de invertebrados como o louva-a-deus, bicho-pau, gafanhotos, formigas, escravelhos, borboletas e aranhas.
Trepa silenciosamente a um ramo antes de o puxar para a boca e apanhar um insecto. Os titis-de-bigodes raramente rejeitam uma oportunidade de comer e devoram pequenas rãs e lagartos. Também assaltam ninhos de aves para roubar ovos.

Desalojados

O seu bigode característico tornou o titi-de-bigodes um alvo popular do comércio para jardins zoológicos e muitos foram capturados ao longo dos anos.
No entanto, a maior ameaça para a espécie vem do desbravamento da floresta de chuvas que levou à destruição de numerosas populações de tamarins. O aumento da população humana levou a que muitas pessoas se tenham mudado para zonas construídas da floresta de chuvas e milhões de hectares são desbravados para dar lugar a mais estradas e casas. Os agricultores locais também desbravam pequenas regiões da floresta para cultivar produtos de elevado valor económico.

Curiosidades

Quando em cativeiro, a vida deste pequeno primata, atinge uma longevidade até 20 anos.

Descrição

Face negra e pêlo sarapintado, dão-lhe uma útil camuflagem
Boa visão, permite aterrar correctamente quando salta e detectar pequenas presas.
Bigode longo e espesso, chega aos ombros.
Pés com garras em todos os dedos, excepto no dedo grande que tem uma unha.
Músculos das pernas fortes, transportam o corpo leve quando salta a longas distâncias entre árvores.

Pêlo aos retalhos

O titi-de-bigodes é cinzento com patas escuras, o dorso é sarapintado por pêlos amarelos e a cauda é cor de ferrugem.
Longa cauda laranja viva, não é preênsil (capaz de agarrar), mas ajuda a equilibrar quando trepa às árvores e salta de ramo em ramo.

GORILA DA MONTANHA
(Berengei)


Descrição

É o maior dos primatas, os machos pesam 140 a 180kg e chegam a medir 1,70m, as fêmeas são menos robustas, pesando de 70 a 100kg e medindo cerca de 1,50m. Têm uma cor negra, excepto os machos adultos que têm uma “veste” nas costas de coloração prateada e um tronco largo. A estrutura muscular é poderosa, a cabeça é grande com a testa baixa, as orelhas são pequenas, os braços são tão longos quanto as pernas e os pelos da parte de trás vão desde os ombros até ao traseiro.

Comportamento

O gorila da montanha vive em grupos, cada grupo é formado por várias fêmeas, crias e um macho dominante, de costas prateadas. Quando se sentem ameaçados o líder do grupo (macho dominante), solta rugidos e bate com as mãos no peito.
A reprodução é durante todo o ano e o período de gestação vai de 250 a 270dias. De 4 em 4 anos as fêmeas dão á luz uma cria, muito raramente duas. É comum observarem-se, fêmeas e crias, numa limpeza mútua. Ao atingirem a idade de 8 anos as crias abandonam o grupo, tornando-se independentes.
A alimentação do gorila é predominantemente herbívora, é constituída por folhas, rebentos de bambu, fruta, cascas e também formigas. Devido a esta alimentação raramente bebem água. Um macho adulto chega a consumir cerca de 31kg de comida por dia.
Os gorilas atingem uma longevidade de 35 anos.

Os últimos grandes primatas africanos

Há apenas 650 gorilas da montanha no mundo. Estes enormes primatas estão em perigo de extinção por perda do habitat, guerra e doenças, de que os humanos são responsáveis. Vivem nas florestas das terras altas que atravessam três fronteiras nacionais da Africa central. A maioria dos gorilas da montanha encontram-se nas montanhas vulcânicas de Virunga no Parque Nacional do Vulcão, no Ruanda, Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo e Parque Nacional de Mgahinga, no Uganda. Existe uma população mais pequena no Parque Nacional da Floresta Impenetrável de Bwindi, no Uganda.

Conservação e turismo

O primeiro parque natural para os gorilas da montanha foi criado em 1925, no que era então o Congo Belga. Mas nos anos 60, toda a protecção havia sido perdida. Uma renovada campanha de protecção foi iniciada por uma antropóloga americana, a Dra. Dian Fossey, cujo estudo dos gorilas nas terras altas de Virunga foi tornado famoso em filme.
Fossey foi apoiada pela Fundação Africana para a Vida Selvagem e nos anos 70, outras organizações se tinham também juntado para formar o projecto Gorila da Montanha.
Este projecto combinava conservação e educação dos locais com uma excitante e nova iniciativa: turismo com gorilas. A aposta ganha tornou os gorilas da montanha um recurso valioso. Em 1990 a administração do projecto foi entregue ao governo do Ruanda. Entretanto, os grupos de conservação formaram o Programa Internacional de Conservação do Gorila para proteger todas as populações das montanhas de Virunda e Bwindi.

Vitimas da guerra

No final dos anos 90, a guerra civil rebentou no Ruanda e o turismo sofreu uma abrupta interrupção. O habitat do gorila da montanha tornou-se num sangrento campo de batalha. Mais tarde, ainda mais floresta foi perdida à medida que os desesperados refugiados cortavam milhões de árvores para fazer fogueiras. Desde então, uma contínua inquietação civil tem rodeado os gorilas por todos os lados e pode por em causa anos de trabalho de conservação. Um cauteloso reabrir do turismo teve um trágico revés quando um grupo de turistas foi assassinado em Bwindi em 1999. No entanto, no fim de 2001, foi de novo declarado aberto aos turistas, ávidos de ver este magnifico primata em liberdade.

Um parque para a paz

Apesar das dificuldades, o trabalho do Programa Internacional de Conservação do Gorila continua. Contra todas as expectativas, a população de Virunga de gorilas da montanha aumentou significativamente desde a última contagem que teve lugar em 1989. As esperanças na sua conservação futura assentam agora no desenvolvimento de um “Parque da Paz”. Esta área protegida atravessará as fronteiras nacionais do Ruanda. República Democrática do Congo e Uganda.

Curiosidades

Embora sejam criaturas silenciosas, eles podem emitir vários tipos de som, como grunhidos, sussurros, gritos, risos, rosnadelas e risadinhas. Como os humanos, eles utilizam os olhos para reunir informação. São os mais inteligentes dos pongídeos. Além disso, são capazes de aprender a comunicar através de sinais, palavras e frases simples.
Fora o ataque eventual de leopardos, o único predador do gorila é o homem

FOCA MONGE DO HAVAI
(Monachus schauinslandi)

Julgando-se ser uma das mais antigas focas

Vivas, a rara foca monge do Havai tem no seu esqueleto características primitivas que remontam a focas ancestrais. É a única foca tropical do mundo, vivendo nas águas do Pacífico em redor de ilhas em cujas praias arenosas procria. A foca monge tem um comprimento de 2,10 a 2,30m, de peso 170 a 275kg e uma longevidade de 30 anos.
De modo de vida aquático, respira na água e faz a muda em terra, é activa durante o dia mas alimenta-se de noite. Solitária de natureza com companhia durante o cio, atinge a maturidade sexual no 5º ou 6º ano de vida,

Vencer o calor

As focas monge passam a maior parte do ano no mar. Ficam perto da ilha onde nasceram, mas algumas viajam grandes distâncias. Navegam a cerca de 9 km/h, mas podem triplicar a velocidade quando estão em perigo. Apesar de toda a sua graciosidade escorregadia debaixo de água as focas não conseguem escapar eficazmente em terra. Arrastam-se para fora de água para dar à luz e fazer a muda. Nestas alturas contorcem-se e atiram-se sobre as praias arenosas. A gordura, que as mantém quentes na água é tão espessa como a de uma foca polar e têm por isso de adaptar o seu comportamento para evitar sobreaquecimento sob o abrasador sol tropical. As focas descansam na areia molhada perto da costa, escavando um charco com água e deitando-se aí com os abdomens expostos.

Mergulhos profundos para jantar

A foca monge do Havai mergulha para apanhar peixes, polvos, lulas e crustáceos. Também caça linguados, moreias e congros que se escondem nas fendas dos corais. A pesca é uma actividade nocturna. É conseguida com uma série de mergulhos, com cerca de 10-40 m, apesar de atingir profundidades maiores de 175m. Uma imersão mais prolongada pode levar 20 minutos. A foca está fisicamente adaptada para sobreviver às tremendas pressões das profundezas. Tem menos bolsas de ar no corpo que os humanos e não sofre com as mudanças de pressão. Os músculos estão cheios de mioglobina, uma substância rica em oxigénio e um volume elevado de sangue que ajuda a impulsionar o fornecimento de oxigénio da foca monge.

Consequências perturbadoras

Séculos de caça dizimaram colónias de reprodução inteiras de focas monge das grandes ilhas havaianas. Começou com a chegada dos colonos polinésios e aumentou com o carecimento da caça comercial às focas no século XIX. Uma nova pressão surgiu durante a Segunda Guerra, quando os Estados Unidos estacionaram a sua frota do Pacífico no Havai. Apesar das colónias de reprodução sobreviverem nas ilhas Noroeste do Havai, estão sujeitas a perturbações crescentes. Isto leva as fêmeas grávidas a deslocar-se para praias mais remotas e menos adequadas, resultando numa maior mortalidade das crias. O enredamento nas redes de pesca é outra ameaça, tal como a fome resultante da sobrepesca das suas presas. Hoje, a população da foca monge do Havai está entre os 1300-1500 indivíduos e a declinar 5% a cada ano. A sua sobrevivência depende da protecção do ambiente, que está nas mãos do governo dos EUA.
O lar da foca monge do Havai no recife de coral, é uma reserva protegida.

Aos trambolhões

O clima tropical permite às focas monge do Havai acasalarem em qualquer altura do ano. As fêmeas ovulam depois de dar à luz e tendem a ficar com o cio em diferentes momentos. Da mesma forma, os machos passam muito tempo junto das praias de reprodução em busca de parceira. Quando encontra uma, segue-a constantemente levando-a para a água para acasalar. Podem juntar-se outros machos que a disputam ferozmente e a fêmea pode ficar ferida. A fêmea dá à luz quase um ano mais tarde uma cria que mede cerca de 1 m. A cria mama durante 5 ou 6 semanas. Durante este período quadruplica o seu peso de nascença, enquanto a progenitora jejua pacientemente a seu lado. No fim do aleitamento, a cria muda a sua lanugem e fica por sua conta.

Curiosidades

A também ameaçada foca-monge do Mediterrâneo (Monachus monachus), também conhecida por lobo-marinho, é a única espécie de foca que vive em território Português, mais concretamente nas Ilhas Desertas do Arquipélago da Madeira

Mito ou Facto?

Não se sabe como é que a foca monge obteve o seu nome. Uma fonte possível, é o texto dos finais do século XVIII do naturalista alemão Johann Hermann. Olhando uma foca de trás, ele reparou como o quadrante traseiro se parecia com a cabeça coberta pelo capuz de um monge. Outra explicação é o estilo de vida “monástico” de solidão da foca, excepto quando acasala.

BALEIA AZUL
(Balaenoptera musculus)

Perigo de extinção

A meio do século XX, a baleia azul tinha sido caçada, levando-a quase à extinção pela sua carne e óleo. Como espécie protegida e não tendo ainda recuperado da carnificina anterior, as baleias correm um novo risco com o aumento da poluição. Em Julho de 2001, na reunião anual da Comissão Baleeira Internacional, o Japão e a Noruega tentaram levantar a proibição da caça à baleia, contrariamente à Austrália e à Nova Zelândia, que propuseram a formação de um santuário no Pacífico Sul. Uma proposta que foi recusada, constituindo a primeira derrota desta reunião. Já existem dois santuários de baleias: um no Oceano Índico, desde 1979 e outro no Oceano Antárctico, desde 1994. No meio dos interesses económicos surge assim o risco da poluição que ameaça a sobrevivência de muitas espécies. O Fundo Mundial para a Natureza afirmou que sete das 13 espécies correm risco de extinção, ao serem confrontadas com o ataque dos efluentes químicos e dos pesticidas que são lançados ao mar. As substâncias poluentes fixam-se na gordura dos cetáceos e, posteriormente, no leite materno que alimenta os baleotes. Mais tarde, provocam ainda disfuncionamentos no sistema imunitário, nervoso e reprodutivo.
Entre a ameaça da poluição, contam-se ainda as colisões com os barcos, as redes de pesca, a exploração do gás e do petróleo nas zonas de alimentação, a degradação dos habitats, a mudança climática e o uso de equipamento sonar em embarcações de pesca, que lhes perturba a capacidade de comunicar.
Desde 1986 que a caça à baleia está interdita e ainda assim, todos os anos, mil baleias são abatidas. Depois disso, já foram mortas oficialmente 21 573 baleias.O Fundo Mundial para a Natureza encoraja a «observação das baleias». Em 2000, nove milhões de pessoas em 87 países, dedicaram-se a este tipo de observação, gerando um lucro global de um milhão de dólares, o dobro da quantia obtida seis anos antes. Um estudo mostrou que esta actividade daria mais lucros à economia islandesa do que uma eventual retoma da caça comercial.

Descrição

A baleia azul não é apenas a maior das baleias, é o maior animal jamais conhecido na Terra, medindo de 20 a 30m e chegando alguns indivíduos a pesar mais de 160 toneladas. Apesar do seu tamanho impressionante, a baleia azul é um animal pacífico. Atingindo uma longevidade de 25 a 100 anos, passa grande parte da sua vida a navegar sozinha ou em grupos de 3 ou 4 indivíduos, atravessando os mares frios e alimentando-se nas correntes de criaturas marinhas minúsculas. Apesar de estar protegida há 40 anos, esta a tornar-se cada vez mais numa visão rara.
Tem um corpo alongado, de coloração azul/acinzentado, manchas de azul claro espalhadas por todo o corpo num tom que varia de indivíduo para indivíduo. Apresenta uma pequena aleta dorsal e uma grande quantidade de sulcos longitudinais, que se estendem da região mandibular à área subjacente das nadadeiras peitorais.
Em vez de dentes, a sua boca cavernosa contem duas fiadas de 300 ou 400 placas fibrosas, com franjas, conhecidas como barbas, que estão implantadas no maxilar superior.

Migrantes sazonais

A maioria das baleias azuis são migratórias, viajam sazonalmente entre os seus locais de alimentação, nos mares polares e nas águas mais quentes onde procriam. À excepção das mães e crias, as baleias azuis são geralmente solitárias. Comunicam por grunhidos e gemidos e têm a voz mais alta do reino animal.
A baleia azul viaja a uma velocidade de 22km/h aproximadamente. Antes de mergulhar, vem à superfície para um gole de ar fresco. Para um mergulho mais profundo que pode exceder os 200m, a baleia azul faz uma pirueta com as barbatanas da cauda a sair da água. Ao regressar à superfície, a baleia sopra uma coluna de água e ar que pode atingir 9m de altura.

Reprodução

Tanto as fêmeas como os machos desta espécie de baleia, tornam-se
sexualmente maduros ao atingirem 7 anos de idade. Acasalam durante os meses de Inverno. Depois de uma gravidez de 11 ou 12 meses, a fêmea dá à luz a sua cria, que pesa até 2,5 toneladas e mede até 7m. As crias são amamentadas até terem cerca de 8 meses de idade. Com o leite rico das suas mães, elas crescem rapidamente, aumentando o seu peso 90kg por dia. A fêmea volta a dar à luz, passados 2 ou 3 anos.

Alimentação

A dieta da baleia azul consiste inteiramente de criaturas parecidas com o camarão designadas por krill. Esta baleia alimenta-se por filtragem, engolindo a sua presa sem mastigar. Para se alimentar, a baleia nada por entre um cardume de krill, engolindo grandes goles de água enquanto a garganta se expande para aguentar o volume. Quando a baleia fecha a boca, a barba funciona como um filtro, mantendo a comida dentro à medida que a água é expelida. Num único dia, a baleia azul pode comer cerca de 6 toneladas de krill.

Curiosidades

A baleia azul possui uma pele com 30 cm de espessura, um coração do tamanho de um carro, o maior pénis do mundo medindo mais de 2 metros de comprimento com espessura de 30 a 50 centímetros de diâmetro. Os testículos, por sua vez, chegam a pesar 10 quilos. Todo o órgão reprodutor da baleia azul fica escondido numa fenda abdominal e não externamente como ocorre com a maioria dos outros mamíferos.
É também curioso o som que ela produz, com uma intensidade até 188 decibéis. Nada no mundo produz um som tão intenso. Também já foi descoberto que uma pessoa exposta a um som próximo dos 190 decibéis morre instantaneamente, ou seja, a baleia pode matar um homem com um grito.
Os açores também são visitados por estes fabulosos monstros dos oceanos.

CONCLUSÃO

No âmbito do Tema de Vida “ animais em vias de extinção”, concluímos que o único responsável por este fenómeno é o homem, directa e indirectamente…
O único inimigo do homem é ele próprio. É o único animal existente à face da terra capaz de destruir em segundos o que levou séculos a construir. Para seu próprio desenvolvimento e conforto e, sem avaliar as consequências, utiliza todos e quaisquer recursos.
A destruição de florestas, a utilização de pesticidas, a extracção e uso de combustíveis não só contribui para a destruição da camada de Ozono prejudicando o efeito de estufa, alterando assim o aquecimento global, como também destrói o habitat de inúmeras espécies de animais e como se não bastasse, ainda pratica a caça furtiva.
São estes factores fonte de preocupação a nível mundial.
A maioria dos países, juntamente com as Instituições de Protecção à Natureza e ao Ambiente, lutam para por fim a esta catástrofe, apesar do Japão e da Noruega, tentarem anular a proibição da caça á baleia.
A boa vontade da maioria do “planeta” não é suficiente e se não nos unirmos contra estas barbaridades, a catástrofe é inevitável!...
Inúmeras espécies já foram extintas! Temos conhecimento delas através de documentos, que nos foram deixados “como herança” pelos nossos antepassados!... Será que a “herança” aos nossos descendentes vai ser a mesma, distinguindo-se apenas pelo acréscimo na lista de espécies extintas?
Que dirão eles?
A decisão é nossa!...

QUADRAS

Os animais são nossos amigos
Porque os extinguimos?
Vão perguntar os nossos filhos
Onde estão esses bichinhos?

Sem sabermos o que dizer
Olhamos para o chão a pensar
A Baleia Azul está a morrer
E o mundo, prestes a terminar

Podemos fazer alguma coisa
Para os animais salvar
Vamos elaborar uma campanha
Para que os possamos ajudar

Vamos cantar para o lince
Para que possa voltar
Para a Serra da Malcata
Pois é lá o seu lugar